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Weakness…

Jon Gomm é o nome…
Passionflower é, a canção…

Se me coubesse descrever ação e estilo, inventaria o termo “One Man Concert” – concerto de um homem só.

Todo o trabalho de Jon Gomm é fantástico. É máquina do tempo, é transporte imediato aonde se deseja ir – que, de modo geral é a função da música, mas faz-se mais forte nesse caso.

No entanto, “Passionflower” é uma situação inesperada.

Jon toca um violão todo cagado rs. O tampo é todo arranhado, sem verniz, sem pintura. Fita isolante sustenta a correia rs…

Gomm utiliza-se de técnicas ridiculamente lindas de two-hand tapping (bater as cordas com as polpas do dedos de ambas mãos) e percussão no corpo do próprio instrumento. Faz uso, também, de uma técnica que sequer sei o nome, que consiste em executar o “slide” – o escorregar, na escala, entre tom e tom – mas desafinando e afinando novamente a corda, sem comprometer a mobilidade.

Arranhões na madeira – motivo da destruição da pintura – também ficam lindos, executados por Jon.

Para pessoas como eu, que utilizam o instrumento de forma convencional, John Gomm é um deus. É uma manifestação do incomum, do apartado.
E o resultado é belíssimo.

Trago sua peça “Passionflower”, em especial, por ter sido nosso elo. O conheci a partir dessa peça.

Uma frase na letra me leva a lugares que não sou capaz de descrever: “Weakness is not your weakness”… Em tradução livre, fraqueza não é sua fraqueza.

Fraqueza…

Fraqueza…

A um homem de pouco menos de trinta, como eu, fraqueza é todo o contrário do que deveria significar um homem.

Nós, os de pouco mais ou menos que trinta, aprendemos que fraqueza é destruição.

Homem não chora, homem não sente, homem não dobra.

Não foi impossível, mas também não foi fácil aprender a chorar.

Muitas vezes fico me perguntando como o mundo mantém o Machismo se esse faz mal a absolutamente todo mundo!

Hoje consigo chorar em público. Consigo fazer de choro e sentimentalismo ferramentas de comunicação. Mas, embora não tenha sido impossível, foi bem difícil. Dada a dificuldade, quantos se abstém da realidade?!

Fraqueza não é fraqueza! Fraqueza é resultado de humanidade! É sinceridade! Sinceridade é força!

No mundo da mentira politicamente aceitável, ser sincero é derrubar uma represa, que impedia um admirável mundo novo!

A força necessária para derrubar as muralhas de uma represa não tem valor!?

Não só tem valor, como possui o valor de construir um mundo diferente, muito mais correto, mais adequado!

Como termina Gomm: “We can see everything! We can hear everything!”! E acrescento: “We can feel everything!”. Nossa alma é feita para sentir!

Revolução… hauhuahuahuahua! Sim! Eu vou me repetir pela ducentéssima vez! A revolução do espírito será motivada pela música! E, porquê não, por Jon Gomm?!

Ouça, depois disso tudo que rasguei aqui. Ouça “Passionflower” por Gomm, e me diga que estou errado.


 

 

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