escrever
 

Quando me sento para escrever

Cabem odes ao orgulho próprio, como se o mundo precisasse de nós?

Há bem poucas coisas que faço questão quando me sento para escrever: conforto, cigarro e bebida.

Não. Não é o conforto, ou o cigarro ou a bebida que me permitem escrever. Sou eu que me permito no meu paraíso particular.

Tem gente que encontra paraíso em praias desertas, em noites iluminadas, em abraços calorosos, em fodas animalescas,  em restaurantes cuja água fresca custa centenas. Eu não digo que não adoraria estar numa praia, fodendo abraçado na água fresca durante uma noite deslumbrante, e pagando muito por isso. Eu sou humano. E, conhecendo a limitação que isso garante, é no conforto da cadeirinha de madeira, cigarro aceso e bebida no copo que eu encontro o meu.

Talvez seja simples demais p’ra isso, e provavelmente reflita no estilo.

Mas eu não sei dizer se me importo de fato.

Tenho bem poucas escolhas: escrever assim ou me render a mendigar pelas ruas, abraçado à Loucura, minha mais leal companhia.

Fato é que no fim nenhuma das duas difere, e o que vier será bem vindo.

Mas me acuso de inclinação a estar sentado confortável, tragando meu velho cigarro de bunda vermelha, deliciando a minha bebida.

Não tenho muito mais que esperar do que isso. E, a isso, rendo toda minha paixão.

Sou boêmio!

“A dor é minha, a dor… E me aquece sem me dar calor.”, como canta Marisa Monte.

E a todas e todos que se dediquem ao transbordo de alma em papel, uma bela noite dos Escritores! Um brinde!

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