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Metallica, a mariposa do Heavy Metal

“Nenhuma banda narrou ou ditou momentos de minha vida como Metallica.
Ninguém falou comigo assim. Ninguém sabia tanto assim de mim sem jamais ter me conhecido” (o autor)

Fãs são fãs. Não temos, mas sabemos como somos quando nos enquadramos nessa realidade.

Idealizamos, fabricamos esperanças, endeusamos nossos “ídolos” e fazemos desses um certo alimento espiritual.

É assim em qualquer manifestação humana, não seria diferente na música.

No entanto, entre todos os tipos de fãs que presenciei em minha vida, um tipo em especial se mostra o mais extremista: o fã do Metal.

Metal é um estilo musical relativamente novo. No entanto, coleciona grandes nomes e uma infinidade de subcategorias que chega a ser difícil listar.

Temos Heavy Metal, Metal Core, Gore, Black Metal, Death Metal, Power Metal, Speed Metal, Love Metal… Vish! Ou paro agora ou sigo o resto da vida nomeando.

Tais estilos sempre lideraram meu prazer pela música. Desde o instante que conheci, me identifiquei e assumi como meu, já que dizia o que queria, como queria, mesmo não podendo.

Me apaixonei pela música e decidi fazer parte do espírito dela pelo Metal.

Em uma lista de inumeráveis nomes que poderia trazer, trago Metallica.

Suas letras sempre falaram muito comigo. Sempre me senti adequado, meio que abraçado. Provavelmente por isso deseje falar a respeito e tenha trazido um adjetivo tão permissivo à sua mutabilidade, indo na contra mão dos que idolatram o estilo.

 

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Todos os direitos da fotografia garantidos a Mark Wainwright. Foto publicada em https://www.flickr.com/people/98856797@N00 em CC 2.0

 

Metallica, ao contrário de bandas mais populares de Heavy Metal como Iron Maiden e Megadeth, nunca foi muito fiel a uma tag.

Na história, a banda permeou variações numerosas de estilo, começando com Death e Speed Metal, assumindo músicas no Love Metal, Heavy Metal e, por fim, brincando no campo do Metal Core, com álbuns terrivelmente criticados.

Eu me nego categoricamente a perder tempo e espaço falando a respeito da “pseudoreligião” dos que idolatram as bandas e, no momento que percebem movimentos de mudança, passam a odiar. Eu prefiro falar sobre quão positivo esse processo evolutivo é não só para a banda como marca mas para seus fãs e admiradores.

Tive um prazer especial, em comparação às gerações seguintes, de viver os tempos de MTv como canal de música.

Conheci Master of Puppets, One, Harvester of Sorrow lá. Foi paixão ao primeiro headbang, ali mesmo, no sofá.

Mas, não sabendo das “regras” rs, acompanhei trabalhos magníficos como Unforgiven, Of Wolf and Man, Nothing else matters, Ronnie, King Nothing, Outlaw Torn,  Fixxxer, Memories Remain, Fuel, enfim… Trabalhos do Black Album, Load, Reload, e, por quê não, masterpieces do Garage Inc. como as releituras de Whiskey in the Jair, Turn the Page, Stone Cold Crazy (sou apaixonado por Queen), Overkill

Fui “descobrindo”, ao decurso dos anos, que minha profunda admiração pela evolução rítmica e de estilo da banda era “condenável” aos olhos dos fãs… auhuhahuauhahuahu Aprendi a cagar para essas opiniões e conceitos.

Sempre consegui empurrar, ainda que à força, em minhas bandas cover, versões das músicas novas desses gênios, sem jamais ter deixado minha paixão por Metal Militia, For Whom the Bell Tolls e …and Justice for All, sem entender um problema na diferença entre o todo.

 

Todos os direitos sobre a fotografia reservados a Kreeping Death: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Kreepin_Deth&action=edit&redlink=1
Todos os direitos sobre a fotografia reservados a Kreeping Death: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Kreepin_Deth&action=edit&redlink=1

 

Foi nesse espírito que em 2003 eu descobri a Mariposa do Heavy Metal: ST. ANGER saiu, com clipe na dona MTv numa cadeia de segurança máxima…

Eu não sou capaz de descrever a experiência da audição das guitarras diferentes, afinadas em baritone – eu, que sempre fui apaixonado pela ESP Explorer do James, com piso de ônibus -, e das peles de bateria do Lars que, até hoje, não sei descrever como soam… Minha banda abraçava o Metal Core, coisa proibida, coisa de garoto, e eu ACHEI FODA PARA DOIS CARALHOS!!!

“Fuck it all and no regrets!
I hit the lights on these dark sets.
I need a voice to let myself
To let myself go free.
Fuck it all and fuckin’ no regrets,
I hit the lights on these dark sets.
Medallion noose, I hang myself.
Saint Anger ‘round my neck
I feel my world shake
Like an earthquake
Hard to see clear
Is it me? Is it fear?”

Caralho! Eu vivia essa merda! Quase explodi com Unnamed Feeling! Som sujo, assim como a vida, descrevendo algo com o qual eu não sabia lidar muito bem!

Caralho!!! Como não amar?!

Foram anos ouvindo quão lixo era o trabalho e, em casa, ouvindo quão maravilhoso era!

Entendi o modus operandis do fanatismo e me vi livre dessa porcaria…

Foi quando, então, em 2008, Metallica retoma o espírito dos anos 90, com Death Magnetic, e se consolida, em minha vida, como a Banda das bandas…

Não encontro um adjetivo adequado para as transições, eu que sempre as adorei. Não encontro uma analogia adequada, eu, que adoro analogias. Assim, prefiro dizer Mariposa, que, em suas três etapas de vida é misteriosa e fascinante, sendo terrivelmente linda, nunca perdendo para o passo anterior.

James Hetfield brinca de música enquanto oferece um mundo para quem o admira.

Se eu tiver que ser fã de alguém na vida, levanto minha bandeira agora: EU SOU FÃ DE METALLICA!

Para azedar ainda mais a puxação de saco, James no Guitar Center para encerrar:

 

 

A imagem de capa do artigo é montagem executada por One2Many1994 e compartilhada em deviantar.com

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