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Foi-se o Carnaval

Não tem como não gostar de Carnaval.
É uma data tão importante cá em Terra Brasilis que é igualável ao Natal, à Páscoa; é um sine qua non do calendário brasileiro.

Quem não curte os blocos, os desfiles, adora as folgas, o espaço para viajar, fazer retiros.
Como disse, impossível não achar um motivo para adorar a festa.

Problema é que acabou. Tudo termina.
De novo só ano que vem…

Nisso eu me pergunto: não é terrível ter data marcada para diversão, para extrapolar, para soltar as feras?!

Diversão, relaxamento, não são qualidades essenciais para uma vida saudável?

Olha o que vejo: há meses esperava-se pelo Carnaval, seja qual for o motivo.
Muito bem recebido, foi celebrado, com gostinho de quero-mais, inclusive.
Nessa, com seu fim, começa “o ano” brasileiro.
É só isso? Tipo, agora só ano que vem?!

Por qual motivo precisamos de datas marcadas para viver?
Digo… Em tudo!

Precisamos de sábados e domingos para descansar;
Precisamos de fins de semana para badalar;
Dia das crianças para passear com os pequenos;
Dia das mães para dizer “eu te amo”;
Aniversários para celebrar;
Natais para dar amor gratuito…

Que existência miserável é essa que tem cabrestos até para o gozo?!

Será que daqui um tempo teremos datas marcadas também para nos apaixonarmos, para nos abraçarmos, para nos olharmos?!

Por que um casal não pode jantar na segunda-feira, ou mesmo em qualquer dia da semana, vários dias da semana, em vez de esperar o aniversário de casamento?!
E como não sair com os amigos do escritório na quarta, para ver futebol no boteco?!
Que tal levar o filho p’ra tomar pingado com pão na chapa na padaria numa quinta, antes de deixá-lo na escola?!

Qual motivo podemos usar como justificado para cercearmos tanto nossa vida, reduzindo tudo ao nível da simples existência, feito pedras!
Nem as plantas admitem simplesmente existir! Como nós nos permitimos isso?!

Você, que adora Carnaval, não foi à rua sem hora, sem questão de agenda, sem rumo, para beber, dançar, cantar, namorar, se divertir?! Vai repetir isso só no próximo Março?!
Você, que odeia, não ficou em casa, desligou a TV e dividiu seu tempo com sua família, sem distrações, sem saco cheio da vida?! Hoje não é nova oportunidade para continuar fazendo?!

Será que perdemos nossa essência e realmente nos tornamos engrenagens acéfalas de uma grande máquina?!
Tempo é dinheiro, sabia? Mas não de papel ou níquel. É dinheiro de tesouro: o mais raro elemento de troca do planeta, quiçá da História!

Posso ser cruel, encerrando, e te contar que esse tesouro não permite poupança?! Não permite porque cada segundo “gasto”, seja fazendo nada, é um segundo perdido, um saque da “carteira” da vida…
Nós podemos perfeitamente perder tudo do material. Podemos perder celulares, empregos, óculos, guarda-chuvas, só não podemos perder tempo.

A vida, meus queridos, é uma doença terminal, e nenhum médico sabe dizer quanto tempo ainda temos. Então, por tudo isso, que tal começarmos a viver de uma vez por todas?! Que tal hoje mesmo?!

O sentido da vida é viver. Ta aí a resposta para a pergunta mais repetida do mundo.
Entreguei de bandeja para você.
Faça bom proveito, portanto.

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