religiao1
 

Ensaio sobre a verdadeira Religião

Religião. Termo nascido do verbo latino “religare“, tornar a gerar vínculo, unir as pontas, porcamente: religar.

Aos meus olhos, depois de anos e anos de reflexão, religião é “um sentimento naturalmente humano de busca insaciável pelo conhecimento universal, na tentativa de, utilizando a curiosidade e o raciocínio como ferramentas, alcançar a verdade” <<leia-se “universo” em seu mais puro sentido: “universum“, ou seja, todas as coisas>>.

Mas o que é a verdade? Segundo Aristóteles, “verdade” é o adequado alinhamento entre o produto cognitivo com o ente real. Porcamente, uma relação de fidelidade entre o conceito intelectual que minha mente possui sobre algo com a coisa em si. Há, assim, verdade quando conheço a coisa tal qual é, de fato <<conceito esse que exclui, na maioria dos casos, a subjetividade conceitual>>.

Agora, religar? O quê com o quê? O mesmo grego defendia que “tabula rasa sumus“, quando nascemos: almas limpas de verbos e conceitos, “em branco”, porém, dotados de razão, que nos permite parecer muito, no decurso do aprendizado, com a suma inteligência ordenadora, necessária no universo, a qual aprendemos a chamar de Deus. Assim, essa “religação” seria entre a alma humana vazia e a verdade absoluta, o conhecimento universal.

Com tudo isso, o primeiro pensamento que vem à mente é de que não existe a fé <<de fato não existe essa fé como costumamos pensar, de que há coisas que devemos acreditar piamente, sem jamais questionar, independente de quão absurdas possam vir a parecer>>, mas existe, afinal, nosso potencial cognitivo é, quase que simplesmente, baseado na experiência sensível, na abstração intelectual de realidades materiais, e o simples fato de contemplar mentalmente inteligências reais “espirituais”, não dotadas de matéria já se trata de um puta ato de verdadeira fé.

Tudo isso acima p’ra quê? P’ra dizer que religião não é o que se pensa. Instituições religiosas não são necessárias para o vínculo com o último nível de perfeição necessário ao universo, a Bíblia não é uma Constituição Mundial, onde os que não seguem termo-a-termo merecem o Inferno.

Aliás, o Inferno não deveria ser condição para a moralidade adequada de um ser humano <<uma vez que as pessoas tendem a não ser más para não serem castigadas, o que é um absurdo! É o “respeito” de um filho pelo pai por medo de apanhar”>>, essa moralidade imaculada deveria ser uma busca diária, não por necessidade divina, não por uma relação de troca, não por nada senão pelo correto seguimento da inclinação humana à verdade, à bondade, à unidade.

Somos animais sociais mais do que racionais. Somos formigas pensantes, que enlouquecem e se tornam selvagens quando sozinhas.

 

religiao2

A fotografia do Abadia de São Miguel (La Sacra ammantata), no Vale de Susa, Piemonte – Itália (cenário para a obra cinematográfia “O nome da Rosa”, adaptação da peça de Umberto Eco, é propriedade intelectual de Elio Pallard, compartilhada sob CC 4.0, redimensionada para a publicação, assumindo novo posicionamento e destaque da edificação em detrimento da paisagem.

Nesse ponto, não importa se Deus é misericordioso, se Deus é da guerra ou da paz, se perdoa ou não, se consola ou atribula, se opera ou não milagres. Não deve importar! Condicionar a conduta moral humana ao medo é reduzir nossa natureza tão exponencialmente que chega a dar nojo!

É tão triste ver “ateus” com conduta mais ilibada do que muitos “crentes”. É tão triste ver instituições “religiosas”, cuja proposta é ajudar os que tem menos recursos a alcançar a verdade, doutrinando à ignorância, à intolerância, a conhecimentos vazios de realidades inúteis, usando da inocência alheia como ferramenta de manipulação em massa e enriquecimento!

Meu Deus, como é doloroso ver gente matando em nome de instituições religiosas, propagando o ódio e a intolerância, a arrogância de acreditar que são escolhidos, num complexo doentio de Super-Homem, quase como o pensamento maluco de Niet, sendo que são porra nenhuma senão uma formiga a mais no formigueiro!

Me abstenho, com louvor, de me integrar a uma instituição religiosa, por acreditar que cano sujo não passa água limpa, e meu relacionamento com a máxima inteligência não depende de interação de ninguém, e minha retidão moral não depende de preceitos estranhos ao meu entendimento, meu maior tesouro.

“A mente que se abre a uma nova idéia jamais retoma seu tamanho original” (Albert Einstein)

P’ra concluir, Cristo, independente se foi Deus ou não, deixou um único ensinamento, segundo se conta: amor.

Torna reta sua moralidade, tendo como “regula magna” sua consciência, ame-se, ao mundo, aos animais, aos demais homens, e, aí sim, será religioso.

CC BY-NC-ND 4.0This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License. Permissions beyond the scope of this license may be available at Mario Feitosa - Políticas.