anonovo
 

Ano novo, vida velha

A essa altura do campeonato, a disposição para fazer do novo ano uma nova vida começa a perder as forças, não é mesmo?

Todas as pretensões, promessas, começam, novamente, a ser enterradas pelas areias da rotina, movidas pelos ventos das ordinarices de nossas vidas…
E não que isso seja ruim. Pelo contrário. Nenhum sábio disse, mas devia, que é caminho de grande paz a aceitação daquilo que não nos cabe mudar – e não conformação, mas a simplicidade da vida talvez seja o que lhe é mais bonito -, afinal ninguém é vitorioso de grandes guerras num 24/7 infinito.

O grande ponto de importância, que pretendo trazer à reflexão hoje, é: será que podemos entender tudo, nessa dita rotina, como tolerável à imutabilidade?! Será que não tem aquele pequeno elemento no qual devemos focar nossas energias, antes que chegue o Carnaval, o ano avance, nos motivando a “deixar para o Ano que vem, com esperanças renovadas”?!

Ora, não é a mudança de calendário justamente um refolego para que possamos esforçar-nos nessas pequenas empresas, que resultam em grandes mudanças?!

E, nisso, na virada me peguei pensando nas receitas culinárias, em como e quanto elas são afetadas por nossa positividade ou negatividade.
Não é fato que, quando se cozinha com má vontade, o produto final fica uma merda?!

Pois então: não será que toda atividade nossa sofra o mesmo efeito que a receita, tendo o resultado afetado por nossas energias e quereres?

Sejamos francos: se trabalhar fosse bom, não receberíamos salários…
Sim, o mundo é um grande hotel, que cobra diária por nossa permanência, então jamais fugiremos das contas e das despesas em geral…
De fato: muitas vezes dá vontade de largar tudo e virar hippie, usando roupas de folhas de bananeira e comendo o que a terra oferecer…

Mas não é tão simples. Talvez, hoje, já nem seja mais tão possível, tendo em vista tudo que perderíamos ao não mais estarmos “dentro” da sociedade – mesmo essa sendo completamente doente, em nossos dias -.

Por isso mesmo que quero juntar o esmorecer das promessas de Réveillon com lentilhas e roupas coloridas, a importância do ordinário, o exemplo da receita e a quase incombatível manutenção de nossas vidas nesse modelinho que temos hoje, propondo um “fazer diferente” naquilo que sempre fizemos: uma reciclagem energética.

Que tal se passarmos a encarar diferente o que não podemos mudar, positivando, e, nessa peleja, irmos nos atentando ao que nos tem feito mal, mas é passível de mudança?!
E se, num segundo momento, além de notar essa passividade, passarmos a atacar essa fonte de negatividade, como quem conserta furos num encanamento?
E se, com tudo isso, num terceiro momento, já quase utópico, estejamos tão fortes, tão capazes, que nos tornemos aptos a, então, mudar aquilo que, antes, não podíamos?!

Não sei não… Talvez seja tudo bobagem, mas, como dizem os sábios: quem não arrisca, não petisca.

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